Palafita



   O lugar é Alcácer do Sal. 

  Uma paisagem alentejana enquadrada entre a serra da Arrábida, a península de Tróia e o estuário do rio Sado, foi já ponto fulcral nas rotas comerciais de povos Fenícios, Árabes, Gregos e Romanos.     Sendo o único no país que flui para norte, o rio Sado gera no seu estuário uma condição marcante de mutabilidade. Os sapais e arrozais chegam a ter uma amplitude de marés de três a quatro metros, que num leito cujo declive é quase imperceptível, resulta em variações drásticas na percepção e vivência do Homem, animal e planta. O projecto surge na necessidade de criar uma estratégia que interprete este território, e possibilite ao visitante uma leitura da paisagem do Sado.
    A proposta consiste então num percurso, que tendo como extremidades a cidade de Alcácer do Sal e a aldeia da Carrasqueira, acompanha a margem do rio Sado e permite a permanência em pontos específicos na paisagem, através de uma pulverização de lugares construídos.



    Estes pontos possuem um carácter efémero, palafítico, submetendo-se às condições de temporabilidade e mutabilidade presentes no território. Designando-se como abrigos, estas estruturas de madeira possibilitam uma livre apropriação do espaço pelo visitante, tornando não obrigatória qualquer função específica.
  A sua construção é elementar: uma grelha estrutural de 15 pilares travados pelas respectivas vigas suporta o pavimento, sendo que 2 destes pilares se elevam ainda mais e agarram a cobertura.
    A cobertura deste espaço estende-se para fora dos limites do pavimento, possibilitando assim três vivências distintas entre planos também diversos: plano pavimento e cobertura, plano solo e cobertura, plano solo e céu.
  Cada abrigo tem como objectivo proporcionar estadia, temporária ou permanente, respondendo a uma leitura específica do lugar e paisagem envolvente.


01.2015